27 de set de 2013

Os primeiros Passos da Educação


Professor que se locomovia para a escola de charrete. Inspeção das aulas pelo Governo do Estado. Canjica como merenda. Apenas duas carreiras a seguir profissionalmente. Estas são algumas das peculiaridades da Educação de Guarujá, desde a fundação da primeira vila do município.

Raquel de Castro Ferreira foi a primeira professora de Guarujá. Ela atuou ao final do século XIX e lecionava em uma sala adaptada, uma espécie de chalé. Era considerada bastante competente, dedicada e contribuía muito na assistencia social. Por conta de seu empenho como educadora, desde 1906, dá nome à segunda escola do Município.

Guarujá teve, inicialmente, uma escola rural que ficava instalada na Rua Brasil, sendo demolida em 1982. mas de fato, a primeira unidade escolar do Município é a Escola Estadual Vicente de Carvalho, que se encontra até hoje na Avenida Puglisi, no Centro. O construtor desta unidade foi Mário Araújo, de uma antiga família da cidade.

Alice Mazzini foi a primeira professora do jardim de Infância de Guarujá. Isto ocorreu na época em que o Estado era governado por Adhemar de Barros. E na gestão do prefeito Jaime Daige, em 1950, Alice tinha sua classe pronta na Escola Vicente de Carvalho.

“Lembro perfeitamente da sala: eram mesinhas azuis, quatro cadeirinhas. Era uma graça, muito confortável, mas um pouco afastada do grupo escola”. Ela lecionava, neste período para cerca de 40 crianças. Alice ensinou de 1950 a 1974. por conta da grande procura de alunos teve que abrir uma sala para o jardim na sua própria casa. A partir de 1977, ocupou por um ano o cargo de assistente de direção da Escola estadual de Vicente de Carvalho.

No período em que Jânio Quadros era governador, Alice recorda que todos viviam sob o império do medo. “Houve uma vigilância no tempo em que ele era governador. Era a época da varredura, da vassoura. Inspetores vinham ver se estava tudo em ordem. E isso nunca tinha acontecido. Lembro de uma senhora na minha sala”.

Quanto à merenda, no curso primário da escola Vicente de Carvalho, não havia. No lugar, era servida canjica. Para isso, existia um grupo de senhoras da Cidade de São Paulo que doavam leite puro (sociedade santamarense). A Prefeitura sempre doou a merenda escolar e não o estado.

Mercedes Damin da Silva, de 89 anos, é uma das professoras mais antigas, sendo a quinta do Município. Nascida no Guarujá trabalhou como professora de 1949 a 1995. No início, foi nomeada para trabalhar em uma escola no Perequê, cuja escola se chamava XV de Novembro. Entrava às 8 horas e chegava em casa por volta da 14 horas.

Depois trabalhou em escola nos bairros Conceiçãozinha, Cachoeira e na entrada da cidade. Como morava no centro, tinha que se locomover para a unidade de charrete. O veículo era da prefeitura e passava às 6 horas. “O caminho era uma estradinha de terra. Não tinha asfalto”.

Dona Mercedes chegou a ser aluna de Raquel de Castro. Segundo ela, segundo ela, quando estava no Perequê, haviam apenas mais cinco escolas pelo Município. Ainda não existia universidade. “A pessoa poderia escolher somente entre duas profissões: professor ou advogado”. E para isso, tinha que estudar em Santos.

Lecionava para alunos do 1º ao 3º ano, reunindo um total de 45 alunos. Todos em apenas uma classe. A Prefeitura dava o material, alimentação e tudo o que os alunos precisavam. “Eu corrigia os cadernos em casa. Dava aula de Geografia, História, Ciências, Matemática, Ginastica e trabalhos manuais, como desenho”.

Sobre o sistema educacional da época, ela sente saudades. “O sistema era bastante exigente. Inspetores escolares vinham de São Paulo ou Santos para verificar a escola, o ensino. Na época, as pessoas trabalhavam com amor. Criávamos amor nas crianças. Hoje em dia, encontro alguns alunos. Muitas vezes não sei o nome, mas sempre lembro da fisionomia”.

Mesmo com toda falta de recurso da época, Mercedes destaca que a escoa era um local bastante querido pelos alunos. “A escola era um divertimento para os estudantes. Quando lecionava no Perequê, tinha aluno que morava no bairro do Pernambuco e caminhava 8 quilômetros para chegar à escola”. A professora explica que, mesmo assim, ninguém faltava ou se atrasava.

A faculdade Don Domênico foi a primeira construída na Cidade, pelo cônego italiano Domênico Rangoni. Ele se destacou pela grande contribuição para a educação de Guarujá e eterna luta a favor dos necessitados. Construiu a creche Ninho Maternal, depois, o Centro Educacional Don Domênico, onde funcionam o Centro Comunitário Cultural, Biblioteca Pública, Escola, Escola de Educação Infantil de 1º e 2º graus e a faculdade Don Domênico. (...)

(Texto de Meilin Neves, publicado no Diário Oficial do dia 31 de Agosto de 2013)

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