7 de jul de 2013

Discussão sobre o Itapema, em 1981


“Vivendo do turismo praticamente desde que nasceu, Guarujá vai ganhar a partir de maio outra condição e um novo adjetivo, o de cidade portuária. Será a terceira do estado a ter instalações de porto, depois de Santos e São Sebastião. Os técnicos garantem que não haverá traumas como São Sebastião, onde o porto afetou a vida urbana, mudou comportamento e abalou o turismo.”

“A Guarujá turística não será afetada – detecta as autoridades – pois o porto se concentrará no seu distrito podre, Vicente de Carvalho, que já vive praticamente isolado geograficamente e socialmente das praias. Ali, há seis anos, movido pela necessidade de se expandir, o Porto de Santos, sediado do outro lado do estuário, instalou um terminal de fertilizantes, que recebe diariamente 1.200 caminhões basculantes. Essa presença portuária se tornará mais nítida em Vicente de Carvalho a partir do mês que vem, com a inauguração do terminal de containers, o primeiro da América do Sul.”

“Desta vez, o crescimento do porto deverá ser disciplinado. Há alguns dias, a secretaria do planejamento apresentou um plano geral para Baixada Santista, iniciando estudos com as demais entidades envolvidas, como Prefeituras e Companhia Docas do Estado de São Paulo – CODESP –, a fim de resguardar, com o mínimo de transtorno aos seus ocupantes, nas áreas exigidas por essa expansão, hoje ocupadas por milhares de barracos ou casas de alvenaria.”

Pelo que é lido na continuação da reportagem, onde está o terminal de fertilizante havia uma favela com 12.000 moradores que foram removidos. O problema era a insegurança dessas pessoas porque nenhuma tinha escrituras de seus terrenos e as indenizações seriam pagas a preço de um simples barraco de madeira. O caso foi levado para a assembleia legislativa pelo governador da época Paulo Maluf, os terrenos pertenciam ao Estado e a petição tinha objetivo de loteá-los em Glebas e remanejar os moradores com algum reparo financeiro. Preocupado também estava o deputado de oposição (naquela época) Maurici Mariano, porque presumia não haver tempo da câmara decidir antes da retirada das famílias.

Algo de extrema relevância para se esmiuçar é a reportagem dizer que Vicente de Carvalho era distrito “pobre” que estava “isolado” social e geograficamente do Guarujá, isto está bem claro na fotografia da matéria. Foi este motivo esclarecedor que fez surgir, por muitos, o desejo de emancipação de Vicente de Carvalho. 

(fonte: Jornal O Estado de São Paulo de 12 de Abril de 1981, página 47)

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