13 de jan de 2012

BAIRRO DO MORRINHOS

No dia 30 de janeiro de 1980 o BNH (Banco Nacional da Habitação) deu aval para o andamento do programa de desfavelamento, projetado pela prefeitura, nas áreas da Cachoeira, Vila Zilda e mais um outro terreno de várzea onde se cultivava bananas. Esta última área denominava-se Sítio Morrinho e seriam abertas ruas e avenidas, haveria espaço para construção de escolas, centro comerciais, igrejas e posto médico. Tal programa de desfavelamento era dividido em fases, com isto o Sítio Morrinho ficaria para a conclusão do mesmo.

No entanto, só em 1987 foi iniciada a ocupação do Sítio Morrinho. Inicialmente seriam remanejadas 250 famílias pré-cadastradas vindas da Vila Sônia, Vila Júlia e Vila Baiana. Naquele ano haviam 42 favelas na cidade e o objetivo para o novo bairro seria acomodar algo em torno de 2.500 famílias na nova área. O empreendimento inicial do Morrinhos teria 665.840 m², com acordo firmado para as construções das casas em regime de mutirão, haveria água encanada, energia elétrica e esgoto. Até aqui tudo andava de forma harmoniosa, porém o medo de novas invasões era grande para o prefeito do município Maurici Mariano e o engenheiro Duino Verri Fernandes – Presidenta da Emurg (Empresa Municipal de Urbanização do Guarujá).

No dia 25/02/1987 o vereador Marinaldo Nenke Simões visitou a área que seria habitada e constatou que não existiam estruturas adequadas para sua ocupação. Foi verificada a ausência de iluminação pública, não existia água encanada, terrenos em desníveis, pouca vigilância, denuncias da aquisição de lotes para revendê-los, além de já existirem 40 barracos antes mesmo da concessão da ocupação. Os novos moradores que ali estavam alegaram ter a permissão do poder público, no entanto queixavam-se que não tinha uma linha de ônibus. Tais denúncias motivaram a tentativa de implantar uma Comissão de Inquérito contra a administração pública, todavia ficou apenas na tentativa.

Quarenta e cinco dias depois foi autorizada a ocupação do Sítio Morrinho, o presidente da Emurg admitiu que as obras não estavam totalmente concluídas; faltavam água e rede elétrica e um novo itinerário de ônibus foi implantado em caráter especial, passando pelo bairro apenas seis vezes por dia.

Uma importante matéria de meia página saiu no Jornal A Tribuna do dia 19 de Abril de 1987, onde empresários da cidade expressaram sua opinião sobre o Sítio Morrinho. Eles diziam que a demora no projeto, que nasceu antes de 1980, transformaria aquela comunidade numa “nova favela”. Os empresários estavam certos porque tais alegações tornaram-se verdadeiras. Olhando agora para a conjuntura econômica do final da década de 1980, vemos que a falta de urbanização no Guarujá, naquele período, era reflexo de uma crise nacional. O Brasil estava em moratória, a inflação corroia todo o poder de compra e o país sofria uma recessão com muitas incitações de greve.

Só no ano de 1992 que a Cesp (Companhia Energética de São Paulo) injetou recursos para a implantação de iluminação pública no Morrinhos e adjacências do município, nesta década a quantidade de favelas na cidade diminuiria para 36 (em 1994). Também no ano de 1992 foi concluída a construção Conjunto Habitacional Ulisses Guimarães com 480 apartamentos entregues a famílias de baixa renda do município. Assim o Morrinhos foi urbanizado, de maneira lenta e gradativa.

No ano de 2012 o este bairro completou 25 anos de ocupação com um mercado de construção ainda movimentando, mas os aborrecimentos aos moradores ainda persistem. Até o final de 2009 os residentes do Morrinhos III e IV não tinham água encanada e tal Bem Básico só foi conquistado na justiça. Outro fato que noticiou negativamente o bairro foi o gigante acumulo de lixos durante o impasse da coleta sanitária em novembro de 2009.

Outra característica primordial é o bairro possuir as nascentes do Rio Santo Amaro, que deságua no estuário de Santos, além do rio Crumaú (Morrinho IV), que segue até o canal de Bertioga.

(Fontes de pesquisa: Jornal A Estância de Guarujá de 26/09/2009 e 14/11/2009; Jornal A Tribuna dos dias 08/02/1987, 15/02/1987, 26/02/1987, 11/04/1987 e 19/04/1987; Jornal do Guarujá de 19/09/2009; Folha de S. Paulo de 04/07/1992, 13/04/1994; TCC da faculdade Don Domênico de José Roberto Santos do Nascimento, “O Bairro do Morrinho: origem e evolução da ocupação do solo”, 2008; www.duino.com.br; www.jusbrasil.com.br)

7 comentários:

  1. E o bairro nao mudou nada! 25 anos e nao tem speedy ve se pode isso aki e um fim de mundo

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  2. Vale ressaltar na matéria que os bairros Morrinhos III e IV são posteriores e oriundos de invasão - sem nenhuma prévia de estrutura do local. Atualmente na área há também duas novas áreas invadidas, uma em frente à principal praça do bairro e outra nas proximidades de conjuntos habitacionais da margem direita do bairro.

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    1. Não sei onde isso vai parar, a prefeitura não breca esse povo e o desmatamento continua; depois reclaman das enchentes na cidade, a água não tem onde escoar devido essas invasões!O Guarujá já não mais o mesmo!!😯

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  3. foi aí que lincharam uma inocente?

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  4. as pessoas reclamam de barriga cheia, levante as maos para o céu e agradeçam a Deus pai todo poderoso por ter uma casa, comida, e entre tantam outras coisa. Apenas reflitam ... olha as pessoas refugiadas sem lar, sem ter pra onde ir com seus bebes no colo, pessoas , familias se arriscando em alto mar para que possa pelo menos salva as suas proprias vidas. Pensem, meu bairro é ruim mesmo ? Minha cidade é ruim mesmo ? Lembem, que ha pessoas que darim td para ter a sua vida.

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  5. Blog Guarujá Web6 de abr de 2016 13:40:00

    Eu acredito que este último comentário seja um pouco incoerente porque nós vivemos em uma nação considerada pacífica e cristã, logo uma das promessas do Mestre foi termos viva e vida em abundância. Será que sobreviver numa cidade onde o contraste social é gritante, onde agimos de violência para ter um pouco de dignidade além sermos explorados por líderes sem escrúpulos (políticos, religiosos e empresários), será que isto é reclamar de barriga cheia? Só quem mora na periferia conhece o quão difícil é encarar a vida com orgulho.

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  6. Moro no Morrinhos 3 a 20 anos, não é o local que gostaria de estar morando, mas é o que tenho no momento, não devemos esperar nada de ninguém, sua capacidade de mudar esta em você! não reclame da vida que tu levas, se esta ruim, tente melhora-la, ou morra tentando. Jairo

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