18 de out de 2010

Aeroporto Civil, um sonho eterno


A construção de um aeroporto civil em Guarujá já é um sonho hereditário. Isto é visto através dos tempos por reportagens antigas, uma dela é do jornal A Tribuna de Domingo, 15 de janeiro de 1978 onde tratava o atual Núcleo da Base Aérea de Santos como “Ala-435”. Na época foram instalados novos equipamentos aeronáuticos, com o intuito de receber a comitiva do então presidente Ernesto Geisel que visitara a região de Santos. Já em 29 de fevereiro de 1980 tais anseios foram lembrados pelo prefeito da época Jaime Daige, porém até hoje em vão. Transferiram em 2005 o Grupo de Aviação Gavião (1ª/11ª GAV) para o estado do Rio Grande no Norte no intuito de fazer a tal aeroporto, mas até agora nada. Enganaram até minha vó, meu pai e agora é minha vez.

8 de out de 2010

Euclides da Cunha já morou no Guarujá


O fluminense Euclides da Cunha, que fora engenheiro, correspondente jornalístico do conflito de Canudos, escritor de Os Sertões, idealizador da transposição do rio São Francisco e imortal da Academia Brasileira de Letras, trabalhou na Comissão de Saneamento da Cidade de Santos em 1904. Ele veio morar, com 38 anos de idade, no Guarujá (ainda pertencente à cidade de Santos) por mais de cinco meses com toda sua família: a esposa Ana Emília Ribeiro (33 anos), os filhos Euclides Ribeiro da Cunha Filho (O Quidinho de 10 anos) e Manuel Afonso Ribeiro da Cunha (3 anos). Seu filho mais velho Solon Ribeiro da Cunha (12 anos) não pede estar junto, pois permanecia alojado num colégio católico.

Durante este período, Euclides manteve contato por correspondência com seus conhecidos de São Paulo e Rio de Janeiro. O primeiro registro desta comunicação é datado em Santos, dia 13 de Janeiro de 1904. Mas é em 23/04/1904 que está o primeiro registro por escrito deste escritor no Guarujá. Ele trabalhou aqui fazendo vistorias nas instalações urbanas e dava orientações para melhor adequação sanitária. O escritor ironiza tal fato ao responder para Coelho Neto, quando acabara de retornar da Ilha de Búzios e se depara com a correspondência daquele, no dia 07/08/1904, falando:

“Habituei-me ao Guarujá, ou melhor: o Guarujá comigo – tolera as minhas distrações, o meu ursismo [Trabalhar em Excesso], a minha virtude ferocíssima de monge e de dispéptico [Indigestão], de sorte que passo a olhar das vidas às voltas com o gárrulo [Tagarela] H. Heine ou com o Gumplowicz terrivelmente sorumbático [Chato]. Ponto. Imagina que ainda estou de botas, e de mala ao lado, e de chapéu à cabeça, - com os meus dois pequenos a puxarem-me desesperadamente para a sala de jantar! Recomenda-me aos teus.”

Ou seja, a vida dele aqui se resumia a excesso de trabalhos, com produções para os jornais e vistorias sanitárias, fadiga, dores de barriga e olhar a vida dos outros acompanhado por duas pessoas chatas.

Euclides da Cunha redigiu uma outra carta em 13/06/1904, porém agora estava em São Paulo, destinada ao Dr. José Veríssimo onde diz:

“...Continuo ainda em Guarujá (Santos), para onde voltarei amanhã. Lá estou inteiramente ao seu dispor, e lá aguardo sua resposta.”

Seu último registro escrito nesta cidade está datado em 09/09/1904, onde escreve para uma pessoa apenas tratada por Vicente. Euclides fala que escrevia a carta atrapalhado no tumulto da arrumação de suas papeladas, pois estaria de mudança no dia seguinte. Ele tinha aceitado outro emprego dado pelo Ministério de Relações Exteriores, na região Rio Perus (Amazônia), onde trataria de missões diplomáticas.

A permanência do engenheiro Euclides da Cunha no Guarujá fora um dos raros momentos que esteve com sua família e seus filhos adoraram tal fato. Antes de partir, Euclides confessa a Oliveira Lima por carta (dia 27/08/1904) que tinha receios de retornar ao Rio de Janeiro para deixar sua família lá antes de seguir viagem, pois havia no início daquele século vários surtos de varíola na antiga capital do país. Até navios europeus evitavam ancorar nos portos cariocas, pois além da varíola ocorrera naquele ano epidemias de febre amarela, cólera-morbo e a Revolta da Vacina.

(fontes de pesquisa: Livro Correspondência de Euclides da Cunha, por Euclides da Cunha, Walnice Nogueira Galvão e Oswaldo Galotti; http://www.releituras.com & http://pt.wikipedia.org/wiki/)

6 de out de 2010

Transtorno no cruzamento do trem

Transtorno na saída da estação das barcas com o cruzamento férreo em Vicente de carvalho hoje, dia 6 de outubro, por volta das duas horas da tarde. Um comboio de trem permaneceu por vários minutos fechando aquele cruzamento, impedindo pedestre e carros de circularem. Realmente há um descaso e omissão com os munícipes que além de pegar ônibus em Santos, atravessar as barcas, ir até o estacionamento pegar sua bicicleta, agora tem que aguardar outro tempo esperando o trem. Realmente tem outra opção; atravessar pela passarela sem a menor condição de segurança – algo que muitos fizeram neste dia, pois não havia mais condição de aguardar.

Agora vejo que há motivos para a senhora prefeita ser vaiada. não só a prefeita, como os vereadores, e a companhia responsável pela malha ferroviária.



Fortaleza da Barra Grande [2/2]





4 de out de 2010

Placa com erro de Português [11]


Propaganda publicada no início de Setembro num jornal local. Erro de concordância verbal muito corriqueiro na fala, porém costuma ser detectado na correção de texto do 'Microsoft Word'. Esta falha sempre caiu em alguma questão dos concursos públicos que já fiz.


O correto é: O comércio e a CDL "LEVAM" você ao Hopi Hari.

1 de out de 2010

Miguel Estéfano


Hoje, no município de Guarujá, a avenida que corre paralela à praia da Enseada, uma das mais importantes da cidade, chama-se Miguel Estéfano. É nome de família libanesa. Em árabe, se pronuncia "estefê". No registro de imigração traduziram para "Estéfano". Dai a confusão. Chegou ao Brasil em 1879, já em 1906 Miguel Estéfano, com 44 anos, criava no bairro do Jabaquara uma das primeiras tecelagens industriais do Brasil, a Pereira & Estéfano. Mas começara sua vida vinte anos antes na profissão tradicional dos "turcos": mascate.

Miguel juntava três ou quatro malas, enchias de roupas, espelhos, pasta de dente, escovas variadas, pentes, peças de veludo, sapatos, etc. e saía vendendo pelo mundo. Importante era não esquecer os óculos. Eram de grau. Ele levava nunca menos do que 30 óculos em cada viagem. A freguesia experimentava, via com qual enxergava melhor e comprava.

Várias vezes o jovem Miguel fez a pé o percurso entre Rio e São Paulo. Dormia ao relento. Quando chovia, pedia pouso a algum fazendeiro. Às vezes conseguia, quase sempre na estrebaria. Em outra, dormia na chuva. Amanhecia encharcado. Mais importante era proteger as malas com as mercadorias. No dia seguinte, seguia caminho. A roupa ia secando enquanto andava.

Assim Miguel Estéfano juntou dinheiro para comprar uma chácara no Jabaquara - onde morou e perto do local em que mais tarde a Fiação Pereira & Estéfano. A casa, construída no início do século passado, ainda existe. A fiação ele acabaria vendendo para o Moinho Santista.

Miguel Estéfano desviou-se um pouco da linha tradicional do imigrante libanês - mascate, comerciante, industrial. Foi para o interior e montou a primeira usina hidrelétrica da região de Salto do Avanhadava, no rio Tietê, a cerca de 500 km da capital. Com o nome pomposo de Companhia Nacional de Energia Elétrica, um imigrante libanês estava diretamente no setor de infra-estrutura.


Quando morreu, em 1951, Miguel Estéfano era um dos maiores proprietários de terra do Estado de São Paulo. No Guarujá, onde fica a avenida com seu nome, metade da praia da Enseada era sua, 7 milhões de metros quadrados. A primeira casa da praia da Enseada foi dele. É onde funciona hoje o Hotel Casa Grande, um 5 estrelas e uma lembrança de sua casa em Catanduvas. Durante anos o hotel pertenceu à família, administrado por Carlos Eduardo Estéfano, filho de Ignácio Estéfano e neto de Miguel. Quando Miguel Estáfano faleceu na sua casa no Guarujá, no dia 14 de Fevereiro de 1951, a imprensa registrou no seu necrológio que ele deixava 8 filhos, 25 netos e que tinha a quinta ou sexta fortuna de São Paulo.

Uma filha de Miguel, Maria Estéfano, que se casaria com Salim Maluf, teve cinco filhos e herdou cerca de 500 mil metros quadrados de frente para o mar, na Enseada. Hoje estão construídos ali um supermercado Carrefour e vários conjuntos de apartamentos.

Uma dos principais pontos de referências da cidade do Guarujá é o Morro do Maluf, entre as praias das Pitangueiras e da Enseada. Só que não tem nada a ver com a família Estéfano ou com os Maluf. O morro pertencia a um outro Maluf, industrial em São Paulo, solteiro, que tinha casa na ladeira do morro e dava festas memoráveis que agitavam os fins de semana do Guarujá.

(Parte escrita são trechos do livro de Paulo Salim Maluf; ''Ele: Paulo Maluf, trajetória da audácia'')

Esqueleto de Baleia

Esqueleto exposto ao público na praia da Enseada, Guarujá.


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