9 de dez de 2010

Vila Zilda

Em janeiro de 1973 um fenômeno natural ocorrera na Ilha de Santo Amaro que mudaria significativamente a geografia urbana da cidade. A estação dos temporais chegou causando estragos em todo Litoral Paulista com ventos forte, trombas d’água e excesso de umidade.

O Morro da Glória, que dês da década de 1950 era habitado por barracos e famílias humildes, sofre um desmoronamento causado pelo clima mas sem deixar mortos. Tal situação colocou em alarde além do prefeito Raphael Vittielo (mandato de 1973 a 1977) como as autoridades locais que temeram pelas vidas lá existentes. Nas semanas seguintes, as famílias do Morro da Glória foram removidas para áreas de Vicente de Carvalho e Guarujá, logo após sendo transferidas para uma área de bananal denominada Cachoeira dos Macacos, de propriedade da Sabesp, criando a “Vila Zilda”. A prefeitura atuou na ocupação da área oferecendo aterro e carpinteiros para a construção dos barracos. Dona Zilda Natel era esposa do governador Laudo Netal, homem que cedeu provisoriamente aquela local para assentamento aos antigos moradores do morro. As criança residentes no novo bairro estudavam numa casa localizada na rua 2, criando-se salas de aula anexas à escola Jacinto do Amaral Narducci. Com o crescimento desordenado do bairro, as aulas de 1ª a 4ª série foram transferidas para a Igreja local.


O que era para ser provisório tornou-se definitivo e, num Domingo do dia 15 de Janeiro de 1978 um novo deslizamento provocado pela temporada de chuvas, agora no morro da cachoeira deixa isolados os moradores de Vila Zilda. O acesso aquela área fora interditado por toneladas de terra, rochas e vegetação, prejudicando o deslocamento e colocando em colapso o abastecimento do comércio ali existente.  Para melhor compreensão deve-se explicar que ainda não existiam, na cidade, as Avenidas Tancredo Neves, Lydio Martins Correa muito menos o túnel Juscelino Kubitschek.


No final da década de 1970 haviam na Vila Zilda em torno de 700 barracos e outras novas invasões. A ironia do bairro na época era o fato de estar em área da Sabesp e não ter água encanada, além da incerteza sobre sua permanência.


Foi em 30 de Janeiro de 1980 que o Prefeito Jaime Daige recebeu um telegrama da diretoria do BNH no Rio de Janeiro; notificando a liberação de verba para remoção de parte dos oito mil moradores da Vila Zilda, loteamento da área e venda dos lotes por preços baixos com prazos significativos. Neste mesmo ano entrou em funcionamento na rua 8, construída com madeira pré-moldada, a escola estadual Vila Zilda Natel pelo decreto estadual nº 14.925 de 9/4/1980, assinado pelo Governador Paulo Salim Maluf. Em 1991 esta escola teve seu nome alterado para Milton Borges do Ypiranga, em homenagem póstumas ao professor de desenho geométrico que lecionou na referida instituição nos anos de 1986 a 1990.


As chuvas na Vila Zilda é uma constate preocupação, devido aos transtornos do passado que acabaram por criar este bairro, até os dias de hoje. No dia 1º de fevereiro 1983, ano de primeiro mandato do prefeito Maurici Mariano, outro desabamento com rochas na Vila Sônia forçou a retirada daquela comunidade em caráter de emergência para uma outra área, formando a Vila Edna. Nos dias atuais, são as alagações o principal transtorno daqueles bairros, vindo a publico nos jornais impressos e televisivos.


(Fontes de pesquisa: Análise Prática Curricular da escola Vila Zilda Natel por Célia Mª Siqueira Gomes e Fábia Liliã Luciano; Livro Guarujá três momentos de uma mesma história, de Angela O. Aguiar Vaz; Cartilha do Poder Legislativo: Entenda como funciona de 2002; Jornais A Tribuna de 15/01/1973, 17/01/1978, 20/01/1978, 16/07/1978 e 31/01/1980; http://www.novomilenio.inf.br/; http://www.duino.com.br & http://www.jusbrasil.com.br/)

2 comentários:

  1. preferia esta no morro,pq ele não caiu esta lá até hoje,inventaram tudo só para remover as pessoas,porque era uma favela na entrada da cidade,as autoridades achavam que os barracos estavam assustando os turistas,e para construir aquele horroroson viaduto,que acumulam varios vagabundos no periodo noturno

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  2. podem aprovar o meu comentario,porque eu era uma das moradoras do morro da GLÓRIA,e estou indignada com as dificuldades que minha familía tiveram na época,e tudo que eu disse é verdade.

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