11 de dez de 2010

A arte das ruas chega aos museus

Grafites e pichações ganham valorização e são reconhecidos como expressão estética contemporânea


Você sabia que tanto o grafites quanto as pichações estão chegando aos museus? Como não podia deixar de acontecer, tudo está cercado de muita polemica.

A presença do grafite em espaço nobres de galerias e museus já ocorrem há alguns anos. As criticas a esse movimento têm por base o apego a padrões estéticos estabelecidos. Coloca-se em discussão o valor artístico do grafite. Há também uma preocupação contrária: a de que o aparato institucional possa retirar do grafite sua vitalidade como forma de intervenção urbana transgressora.

Mas o debate fica mais acirrado quando o assunto é a pichação. O anuncio da participação de pichadores na 29ª Bienal Internacional de São Paulo, que ocorreu em outubro de 2010, provoca acaloradas discussões.

Muitos devem se lembrar de que, em 2008, pichadores invadiram a 28ª Bienal para protestar e picharam espaços da exposição, chegando a ser presos. Agora, algumas pessoas desse mesmo grupo foram convidadas a integrar em 2010 o trabalho “Pixação SP” (assim mesmo com “x”, em grafia consagrada entre os pichadores), com um conjunto de fotografia, vídeos e debates. Para a curadoria do evento, a decisão está em sintonia com o tema dessa Bienal, que se propõe a abordar a relação entre arte e política.

Diferenças


Mas pichação e grafite não são a mesma coisa? Não há consenso entre as fronteiras dessas duas formas de intervenção urbana. Do ponto de vista estético, algumas diferenças podem ser destacadas. Enquanto a pichação é uma escrita ou um rabisco monocromático, o grafite aproxima-se da pintura, da gravura, dos quadrinhos e é, em geral, colorido e bem elaborado. Espalhados em vias movimentadas das grandes cidades, ambos podem ser vistos por amplas camadas da população.

Mas, como status de arte vem sendo legitimado por instituições políticas e culturais, como universidades, museus e galerias, o mais interessante agora é discutir como essa manifestações se relacionam com cidadania e inclusão social, marginalidade e vandalismo.


Origens

As pichações surgiram no fim dos anos 1960, nos Estados unidos, com a propagação de mensagens de rebeldia e protestos escritos em spray em paredes, muros e trens de metrô. No Brasil, essas manifestações ganharam força nas décadas de 1970 e 1980, como um canal de expressão para questões políticas e sociais da juventude dos grandes centros urbanos. Formou-se uma geração de artistas de rua, da qual fazem parte Alex Vallauri, Matuk e Zaidler, convidados a expor seus trabalhos já em 1985, na Bienal Internacional de Arte de São Paulo.

Embora grande parte dos grafiteiros permaneça anônima, muitos tiveram o nome reconhecido e ingressaram em ambientes institucionais. A amostra “Street Art: Graffit à Pintura”, feita pelo Museu de Arte Contemporânea (MAC) da USP, em 2008, reuniu grafiteiros brasileiros e italianos, que transpuseram para painéis de madeira canas que haviam sido pintadas em muros urbanos. Na exposição “De Dentro para Fora/De Fora para Dentro (2009/2010), no Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand (Masp), os artistas Carlos Dias, Daniel Melim, Ramon Martins, Stephan Doitschinoff, Tito Freak e Zezão foram chamados para criar enormes murais de madeira (num total de 1.500 m² de área pintada) que ao final foram apagadas, caracterizando a idéia própria dos grafites, de que são efêmeros.

Parte do impulso para que o grafite alcançasse esse patamar veio do destaque alcançado por grafiteiros brasileiros no exterior, como a dupla Osgemeos, formada pelos irmãos Otávio e Gustavo Pandolfo, que já fizeram mostras individuais no Brasil, em países da Europa e nos Estados Unidos.


De volta à rua

Osgemeos protagonizaram, em 2008, movimento inverso ao que caracteriza o grafite: foram convidados, com os artistas de rua Nunca, Nina, Finók, e Zéfix, a pintar um imenso painel na movimentada avenida 23 de maio, em São Paulo. Demonstrando que esse reconhecimento não ocorre sem tensão, o painel foi, tempos depois, pichado por grupos que condenaram arte de rua feita sob encomenda.

Em boa parte alheios à discussão sobre o valor artístico de suas criações, pichadores e grafiteiros disputam os espaços livres das ruas. Foi por força de seu caráter clandestino e transgressor que essa produção sobreviveu a diversas legislações municipais que buscavam proibi-la nos espaços públicos.

Nos últimos anos, metrópoles como São Paulo e Rio tem adotado políticas para regulamentar essas intervenções, fazendo surgir o grafite autorizado. Governo e setores da sociedade civil defendem a idéia de que o grafite possa, sobretudo em área urbanas degradadas, cumprir uma função revitalizadora, conferindo dignidade e identidade à sua vizinhança.

(texto retirado Guia de Estudos Enem atualidades 2010, ed. Abril. 1ª e 2ª Figura fotografadas na cidade de Guarujá, 3ª Figura fotografada na Av. 23 de maio retirada do site: http://www.pixain.com.br/?p=86)

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