9 de nov de 2010

Cônego Domênico Rangoni

(Padre Don Domênico)

Cônego Domênico Rangoni nasceu na Itália, em Medina, província de Balogna, no dia 1º de Março de 1915. Enviado pelo bispo diocesano de Santos, Dom Idílio José Soares, padre Don Domênico fora encarregado de cuidar da paróquia de Nossa Senhora de Fátima e Santo Amaro, chegando à cidade de Guarujá no dia 14 de Março de 1954. Sua primeira missão na cidade foi coordenar conclusão da construção da Igreja Matriz, algo que conseguiu fazer em menos de um ano.

Ainda nos trabalhos pastorais, Domênico atuou em toda região da ilha de Santo Amaro, orientando e conscientizando a população no cumprimento aos ensinamentos dos evangelhos, pregando principalmente o ato da caridade. Ele participou também da construção da capela São Paulo, na Enseada; capela Cristo Rei, em Pernambuco e executou melhorias na capela no distrito de Vicente de Carvalho, fazendo acomodações para a moradia do novo vigário, que ele mesmo conseguiu junto à Congregação de São Carlos.

Após as estruturações paroquiais, Don Domênico dedicou-se ao trabalho social em prol dos caiçaras. Era fato observado que na cidade de Guarujá havia uma grande desigualdade social; numa parte da cidade repousava a elite paulistana, e nas demais áreas encontravam-se vários moradores de rua e pessoas doentes. As mulheres grávidas dependiam de parteiras para dar a luz nos barracos de madeira ou tinham que se deslocar à cidade de Santos. Domênico conseguiu, em parceria com o prefeito Domingos de Souza, construir o primeiro pronto-socorro na cidade e, no dia 22 de Abril de 1962, inaugurou uma maternidade com 100 leitos.

Da maternidade, Domênico prosseguiu sua ampliação e construiu um hospital geral com capacidade para 400 leitos que batizou com o nome de Santo Amaro, padroeiro da cidade. Construiu também um posto médico na praia de Pernambuco para atender a população carente daquela área.

(Don Domênico, ainda moço, com nadadores na praia)

Nosso padre também atuou na área da educação, construiu a creche Ninho Maternal com capacidade para assistir 300 menores, pioneira no atendimento as crianças no município. Sendo então, neste período, lhe conferido o título de cidadão Guarajuense pela Prefeitura e Pela Câmara Municipal. Ele também construiu o centro educacional ''Don Domênico''; que dispunha de uma biblioteca, uma escola de educação infantil, fundamental e médio, centro comunitário e a “faculdade de educação de ciências e letras”.

As pessoas que tiveram contato com o padre e seus amigos o definiam como um homem extrovertido, muito engraçado, simpático, inteligente e acima de tudo um grande político como também empresário. Desde que chegou a cidade, percebeu a necessidade de atender aos problemas do município e, com isto, melhorar a qualidade de vida de sua população. As obras administradas por ele, tocadas com dinheiro de doações, eram idealizadas também para manter o equilíbrio social, algo evidente no Guarujá.

Segundo depoimento dado em 1993 pelo fotógrafo Raimundo Rodrigues Moreira (o Bahia), que acompanhou o padre em sua jornada pela cidade:

''Ele era brincalhão, alegre e tinha uma capacidade inexplicável para conseguir recursos para suas obras. Olha que para tirar dinheiro de judeu não é mole, mas ele tirava! Ele arrecadava dinheiro até dentro do cassino, enquanto as pessoas jogavam.''

(Padre Domênico aconselhando uma nova geração)

As atividades em prol dos mais necessitados proporcionou ao padre várias comendas, medalhas, títulos. Porém o maior de todos foi a de Outubro de 1983, onde através de carta enviada pelo Cardeal E. Martinez, Domênico recebeu do Papa João Paulo II elogios e uma benção pelos trabalhos sociais.

Cônego Domênico Rangoni faleceu vítima de cancer em São Paulo no dia 8 de novembro de 1987, sendo a pessoa que mais contribuiu para o desenvolvimento de Guarujá.
Quem foi Cônego Domênico Rangoni? Quem foi padre Don Domênico?
(fonte de pesuisa: Jornal Diário da Ciadade, 6 e 7 de Novembro de 1993; arquivado na Biblioteca do centro de Guarujá)

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