26 de set de 2010

Bairro do Perequê

A ocupação nas áreas a margem do rio Perequê, próxima a praia fora gradativamente habitada por famílias de pescadores que se instalaram ali a partir da década de 1950. Estas famílias certamente chegaram lá após serem deslocadas de outras áreas da Ilha de Santo Amaro.

Em 10 de Novembro de 1964, mesmo ano do golpe militar no Brasil, a família Sayão reivindicou aquela área e, pelo alvará de número 323/64 criaram um projeto de loteamento de terrenos para venda. Em 3 de Junho de 1967 tal loteamento foi cancelado pela prefeitura. Porém, neste mesmo ano, o mesmo projeto fora aprovado e cancelado novamente; o motivo do cancelamento foi pelo fato de não haver áreas publicas cedidas para a construção de escolas ou posto médico.

(Conflito na área do Perequê noticiada dia 17/01/1979)

No dia 15 de Agosto de 1973, após correção de todos os problemas jurídicos, burocráticos, demarcação de ruas e lotes, fora expedida a ultima autorização de venda de lotes na área do Perequê. Toda áreas cedidas pela família Sayão à prefeitura e para o Estado já estavam ocupadas por posseiros; estes últimos questionavam o direito dos Sayãos sobre a área a margem do rio Perequê, denunciando serem eles grileiros.

(passeata de posseiros no Perequê 21/01/1980)

Os moradores que há anos lá habitavam se organizaram em associação e com a ajuda de uma comissão de vereadores conseguiram em Janeiro de 1980 a suspensão do alvará deste loteamento. Um dos motivos para tal fato fora a área destinada ao poder público já ser ocupada por famílias fixadas lá por décadas, cabendo a prefeitura desalojar estas pessoas.

No dia 20 de Janeiro de 1980 - após novas denúncias da permanência de vendas de lote, grilagem, agressões e ameaças de jagunços contra os posseiros – houve uma passeata organizada pelos diretores da Sociedade Amigos do Perequê e que tinha a presença dos vereadores Demir Triunfo Moreira, Renato Lancellotti, Alberto Marques, Gentil da Silva Nunes e o presidente da sociedade Nilto Agostinho de Oliveira. A manifestação chegou a confrontar com contratados da família Sayão, entre eles um chamado de capitão Lauro que era denunciado como o organizador dos atos de violência contras os moradores.

O Prefeito de Guarujá da época era Jayme Daige que, pela lei nº 1489 de 23 de abril de 1980, cria a construção do terminal turístico de ônibus no Perequê. Com o intuito de desenvolver aquele bairro. Tal terminal torna-se anualmente mais frequentados pelos turistas veraneios. Entretanto tais turistas trouxeram mais despesas ambientais e financeiras ao município do que lucro, e em 14 de Abril de 1989 o Terminal Turístico torna-se, pela lei nº 2035/89 assinada pelo prefeito Waldyr Tamburus, no Parque Ecológico Chico Mendes.

(Barracos à margem do rio Perequê em 2010)

Em meados da década de 1990 o poder judiciário, através do ministério público, proibie as novas invasões e construções na área de Preservação Ambiental do Perequê, uma vez que lá abriga espécies nativas da Mata Atlântica.

Atualmente o bairro do Perequê é uma área urbanizada, com comércio estruturado que atrai turistas para conhecer esta praia de águas calmas e radiantes, porém ainda sofre com a falta de saneamento básico, má balneabilidade da praia e relativo isolamento de sua comunidade.

(Fontes de pesquisa: Jornal A Tribuna de 21/01/1980, 19/01/1079 & http://www.jusbrasil.com.br/)

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